quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Perspectivas

Ela olhou para mim desconfiada quando lhe disse que não tinha com que se preocupar. Suspirou e deixou-se caiu na minha cama como se de repente todos os membros do seu corpo tivessem cedido à todas as forças da gravidade.
- Não entendo...
- É simples tu..
-Não. Isso eu entendo. O que eu não entendo é como é que tu simplificas as coisas. Como é que te recusas a ver as coisas por um lado negativo? Como é que consegues ver sempre uma coisa boa na pior das situações?
- Fácil. O que é que adianta ver as coisas pelo lado negativo? O lado negativo...é uma merda. A única coisa que ele faz é dar-te uma prespectiva. Nem sequer é uma realidade. Porque a realidade é uma junção de factos. Todos os factos podem ser observados de duas perspectivas, então porque é que eu tenho de escolher a pior? É a mesma coisa que te mandarem escolher entre comeres um bombom ou comeres um pedaço de vidro, é obvio que escolhes o bombom.
- Pois...
- Então...porque é que continuas a pegar no pedaço de vidro?
- É incrivel como tu não fazendo sentido nenhum...fazes todo o sentido.
Encolhi os ombros.
Sim...é certo que há lado negativos. Em 1000 coisas que correm mal, há 1 que corre bem. Mas as 1000 coisas que correm mal tornam-nos predispostos para aceitar essa 1 que correu bem com o dobro da felicidade e fazem-nos dar-lhe valor.
Não podemos ser feitos apenas de uma perspectiva. Porque isso tornar-nos-ia lineares, o que nós também não somos.
Então...pesa os dois lados, e tira partido das situações. No final do dia...aceita com agrado o bombom e deixa o pedaço de vidro no ecoponto...porque até os pedaços de vidro podem ter lados positivos ;)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nunca soubeste

Dizes que não queres tentar porque tens medo.
Dizes que não queres tentar porque dói.
Dizes que não queres tentar porque calculas.
Dizes que não queres tentar porque ouviste dizer que não vale a pena.
Dizes que não queres tentar porque tiveste más experiências.
Dizes que não queres tentar porque sentes que não vai dar.
Dizes que não queres tentar porque hoje a nossa música não deu na rádio.
Dizes que não queres tentar porque tens um feeling.
Dizes que não queres tentar porque tens um pressentimento.
Dizes que não queres tentar porque dá o jogo da selecção.
Dizes que não queres tentar porque te dói a barriga.
Dizes que não queres tentar e dás mais 20 desculpas...
Mas no fundo não sabes o que é tentar...
Nunca soubeste...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

roller coaster


A vida é um loop...
Então como é que uma palavra faz todo o mundo parar de girar?
A vida é um loop...
É por isso que a minha cabeça dói?
Sinto-me dormente...
A vida é um loop...
Desce...Sobe...Cabeça para baixo...Estômago às Voltas...Respira...
A vida é um loop...
Suores Frios...Balançar...Dor nas Costas...Empurrão contra a cadeira...
A vida é um loop...
Pára...Arranca...Desce...Deixa-te ir...Cai...Sobe...Expira...Inspira...
A vida é um loop...
Nublado...Cores...Escuro...Desce...Sobe...Estômago...Música...
A vida é um loop...
Amo-te.
Parou. Respiro fundo...

sábado, 27 de agosto de 2011

Cento e Quarenta e Seis

Eça de Queirós dizia: "A distância actua sobre a emoção exactamente como actua sobre o som (...) É sempre em ambas o idêntico e tão racional princípio das ondulações, que vão decrescendo à medida que se afastam do seu centro, até que docemente se imobilizam e morrem: se elas traziam um som que vinha vibrando - o som cala quando elas param"

E se não for bem assim?
E se existir uma emoção que torna um pequeno som de uma nota numa sinfonia que invade todos os nossos sentidos?
E se a distância não diminuir a intensidade do som mas for, isso sim, capaz de a aumentar a níveis inatingíveis?
E se a distância for apenas um número?



E se...

Fazes-me falta.

Andaria. Cento e Quarenta e Seis.


Para ti.

Lisboa

Habituei-me a achar que o ruído dos carros a alta velocidade era música...
Habituei-me a achar curta a viagem de 45 minutos para o centro...
Habituei-me a abraça-los como se os fosse ver todos os dias...
Habituei-me a dormir no quarto de 20.000 pessoas diferentes...
Habituei-me a não achar estranho dizer "caminhe até ao marquês de pombal"...
Habituei-me a perder o metro...
A beber café no starkbucks...
A passear no bairro alto...
A dar direcções aos turistas...
A dançar no meio da rua...
A cantar no meio do Mac...
A tirar 1001 fotografias de tudo e de coisa nenhuma...
A ter saudades antes de partir...
A ter de andar 2 km para poder chegar à pousada...
A não ter medo...
Mas pior...
Habituei-me a ti.

Lisboa...Lisboa é amor aos pedacinhos...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Reencontros

O céu negro pairava assustadoramente sobre a minha cabeça ameaçando um temporal como há muito não se via...
O vento gelava-me os dedos que lentamente perdiam a capacidade de se mexer com a delicadeza e sensibilidade que lhes eram características. Os meus cabelos serpenteavam suspensos e chicoteavam os meus ombros protegidos pelo fiel casaco de malha preto.
Ninguém diria que era verão olhando para aquele céu.
Mas não importava...na realidade nada importava porque aguardava por este momento há muito tempo.
Os reencontros começam sempre assim.
Alguém espera alguém. Depois correm uma para a outra sem se importarem com mais nada.
E durante horas as palavras saem dos nossos lábios como rios impossibilitados de correr há muito tempo, e quando damos conta... silêncio.
Deixamo-nos cair no banco de jardim (no mesmo de sempre) e respiramos.
"Como é que conseguimos dar uma reviravolta à nossa vida em apenas 336 horas?"
E a resposta não vem como por magia, como acontece nos filmes, nem há um gigantesco sinal luminoso a dar-nos indicações sobre o que devemos fazer...
Por isso deixamo-nos ficar ali...com o tempo a passar...
Porque às vezes a vida resume-se a isto:
Eu, tu e um banco de jardim...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

3600 segundos



Comecei a escrever naquele papel branco A4 tudo aquilo que pensava que sabia sobre o mundo, enchi-o de letras, de sonhos, de promessas e no final...enrolei-o e fiz do lixo o meu "cesto". Às quintas feiras torno-me jogadora de basquetebol profissional não sabiam?
Mas ultimamente tenho enrolado muito papeis com promessas, tenho feito do lixo o meu "cesto", mas por muitos pontos que marque o mundo ganha sempre, sem nem sequer encestar.
Hoje vi-o com uma pedra no peito e rios nos olhos. E enquanto as palavras nos fugiam, tentávamos correr atrás delas, mas não conseguimos. Será que o mundo ganha sempre? Será que temos que ser sempre personagens secundárias na nossa própria vida?
Hoje ela correu para mim com sede de ódio nos olhos e um sorriso maléfico na cara de menina. Perdoo-lhe a impaciência e o conformismo, porque fui eu mesma que o exigi, mas não a posso impedir de se banhar nas correntes de acrimónia em que se envolve profundamente. Sim, há dias em que eu própria me queria afundar nessas águas turvas, mas não acho que me iria sentir melhor.
Hoje vi-o a fixar o mesmo ponto vezes sem conta, a passar por mim sem me ver, a ignorar o mundo à sua volta porque lhe tiraram a última esperança que tinha. Tenho a certeza, embora não o conheça à muito tempo, que se lhe perguntasse ele me diria que preferia ser atingido por um piano atirado de um décimo andar do que sentir aquela dor asfixiante da qual era impossível encontrar alívio. Dói ouvir que nunca vai acontecer.
Hoje ela atirou-me um olhar gélido que me parou o coração. Sim...já faz parte da rotina, mas não deixa de doer apenas porque é repetitivo...acho que até estranharia se não levasse aquele olhar para a primeira aula do dia. Kant fizeste o teu melhor, mas a intenção já não importa. Irei morrer durante segundos todos os dias até morrer para sempre.
Hoje vi-o a cravar as letras na capa do caderno. Um dia que tinha começado bem tinha-se revelado na maior mentira que alguma vez enfrentou, e não podia simplesmente ignorar, era-lhe impossível passar por cima disto, ainda mais por baixo, então, enquanto o vi-a atirar-se de cabeça para o meio daquela escuridão...engoli em seco. Um dia...vemo-nos do outro lado.
Hoje ela escondeu-se nos meus braços a chorar compulsivamente. Será o fim um novo início? Ou acabou tudo por aqui? Terá isto algum sentido? E quando dizemos que ultrapassamos, teremos realmente ultrapassado? Ou estamos apenas a encher a nossa caixinha de Pandora um pouco mais até nos libertarmos finalmente?
Hoje vi-o, hoje ela, hoje vi-o, hoje ela, hoje vi-o, hoje ela...até que ele chegou. E as nuvens afastaram-se para o Sol libertar uma raio ofuscante. E o meu coração recomeçou a bater, o sorriso voltou à minha cara, a escuridão escondeu-se numa esquina longínqua. Gostava de ter esse poder que tu tens, esse de aquecer corações e de libertar. Dei-lhe a mão e apertei-a com muita força. Agora sim...agora podíamos voltar atrás e ajuda-lo a ele, a ela, a ele, a ela, a ele, a ela. E o mundo rendia-se a cada passo nosso.

Porque hoje encestamos.

Porque hoje, finalmente, ganhámos.